segunda-feira, 25 de março de 2013

A Hediondez do tráfico de drogas


Um texto, bem interessante, sobre possíveis mudanças na lei de crimes hediondos. 

Fonte: Clipping


José Theodoro Corrêa De Carvalho
Promotor de Justiça do MPDFT, doutor em Direito pela Universidad Complutense de Madrid, conselheiro do CONEN/DF, professor de Direito Processual Penal

Está na pauta do plenário do Supremo Tribunal Federal (HC 110884/MS, rel. Min. Ricardo Lewandowski) um pedido absurdo e despropositado: que a primeira condenação por tráfico de drogas não seja considerada como crime hediondo. Ou seja, apenas quando o traficante for reincidente seria possível aplicar as regras mais rigorosas dos crimes hediondos.

O requerente do caso citado foi condenado por tráfico internacional de drogas e pleiteia o benefício do indulto, ao argumento de que a Lei 8.072/90 prevê apenas o tráfico de drogas como hediondo, mas não prevê o chamado “tráfico privilegiado”, que é a hipótese em que o traficante tem a pena reduzida em até dois terços, se for primário e de bons antecedentes (Lei 11.343/06, art. 33, § 4º).

O que define a hediondez de um delito é o horror da conduta e de seu resultado e não o fato daquela conduta ter sido praticada uma ou duas vezes. Uma conduta é hedionda, mesmo que praticada uma única vez. Não é possível considerar que o crime seja hediondo apenas quando reiterada a prática.

Apesar da doutrina ter usado a expressão “tráfico privilegiado” para a causa de diminuição de pena do artigo 33, § 4º, da Lei 11.343/06, não se trata de um crime novo ou diferente do tráfico propriamente dito, mas apenas hipótese em que a primariedade e bons antecedentes, além de outros requisitos, permitem a redução de pena. A conduta é exatamente aquela prevista no tipo base do tráfico (art. 33, caput, da Lei 11.343/06).

A Constituição Federal garante que todo e qualquer tráfico seja punido de forma mais rigorosa, pois o legislador constituinte, ao delegar ao legislador ordinário quais seriam os crimes hediondos, deixou claro, que pelo menos três deles deveriam ser considerados como delitos merecedores de repulsa especial: tráfico de drogas, terrorismo e tortura (CF, art. 5º, XLIII). Resta claro, portanto, que vender drogas na porta da escola deve ser considerado hediondo tanto na primeira, quanto na segunda vez em que for praticado.

Vários julgados do Superior Tribunal de Justiça chegaram à mesma conclusão: a aplicação da causa de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 não é suficiente para provocar o afastamento da equiparação existente entre o delito de tráfico ilícito de drogas e os crimes hediondos, dado que não há a constituição de novo tipo penal, distinto da figura descrita no caput do mesmo artigo, não sendo, portanto, o “tráfico privilegiado” tipo autônomo (HC 149942/MG; HC 143361/SP; HC 197.387/MS e HC 219.960/MS, entre outros).

Retirar sua natureza hedionda resulta em estímulo à traficância. Apesar do crime de tráfico estar sujeito à pena de 5 a 15 anos de prisão, são tantos os benefícios possíveis que é quase certo que, em pouco tempo, o traficante estará novamente nas ruas. Como os traficantes costumam conhecer a legislação e utilizá-la a seu favor, a maioria deles tenta simular a condição de usuário e trazer consigo pequena quantidade de drogas, o que resulta na invariável aplicação da pena mínima de 5 anos, permitindo-se a redução de até 2/3 se forem primários, o que resulta em uma condenação de apenas 1 ano e 8 meses. Se o STF aceitar o pedido de não consideração da hediondez e o regime fechado for aplicado, os traficantes teriam direito a progressão de regime depois de cumpridos 1/6 da pena, ou seja, estariam nas ruas em apenas 3 meses e 10 dias. Mas a situação ainda é mais vantajosa, porque poderia ser aplicado o regime aberto e a substituição por penas alternativas para o exemplo citado.

Importante observar que o pequeno traficante também faz parte do grande esquema de distribuição de drogas. Acreditar que ele é inofensivo é um equívoco. Em carta enviada à revista Veja (ed. 2294, novembro/2012, p. 44), o leitor carioca Ruy Mozzato lembra que “quem pode entrar em sua casa para oferecer o primeiro baseado a seu filho não é o grande traficante....O pequeno traficante é o grande inimigo”.

Existe uma tentativa forçada de algumas pessoas de reduzir as penas para esvaziar os presídios. Com uma punição de apenas 3 meses, os presídios realmente ficarão vazios, mas as ruas estarão cheias de traficantes.

O nosso "ministro".


Comentário comum entre os alunos do Direito, da Universidade de Franca, principalmente após a ampla cobertura do julgamento do Mensalão, da semelhança física entre o professor José Moisés e o Ministro, hoje presidente, do STF.

Ao chegar ao Fórum de Franca, enquanto o professor estava de saída, o aluno constatou que os comentários não ocorrem somente no campus da universidade, quando ouviu uma mulher perguntar ao segurança: "Quem é aquele? Nossa ele parece muito o Joaquim Barbosa, né?"



Obs. Deixo aqui um abraço ao simpático professor e ao meu nobre colega João Vitor, que foi quem presenciou a passagem no Fórum e me cedeu a imagem acima. 

sábado, 23 de março de 2013

MEC e OAB regulamentam estágio de direito em órgão público


Interessante ler as promessas e cobranças do ministro Mercadante em relação aos cursos de Direito, principalmente na semana que ficamos sabendo que redações do Enem com receita de "miojo" e hino do Palmeiras receberam nota no ENEM.

Na atual administração federal, ninguém é demitido ou tem a decência de pedir demissão, o presidente do INEP, autarquia do Ministério da Educação, responsável pela prova ainda divulgou uma nota dizendo que as redações receberam nota, acima de 500 pontos, por não terem fugido ao tema, que foi "movimentos imigratórios para o Brasil do século XXI", podemos ver que o macarrão instantâneo e o time é bem ligado ao assunto.

Com as informações sobre o ENEM, que é organizado pelo próprio governo, é motivo de muita alegria saber que o eficiente ministro está apto a dar pitacos sobre a melhora em alguma coisa, ainda mais, fora do seu ministério. 



Fonte: VEJA

Acordo prevê ainda mais rigor na avaliação dos cursos de direito do país

Diante do alto índice de reprovação nos exames aplicados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da má avaliação das faculdades de direito, o Ministério da Educação (MEC) assinou nesta sexta-feira um acordo de cooperação com a OAB que torna obrigatório o estágio de estudantes da carreira em órgãos públicos para a obtenção do diploma universitário. O documento também estabelece novas regras para a regulamentação e fiscalização de cursos de graduação e pós-graduação da área.

Pelo acordo, todos os estudantes de direito terão de comprovar experiência profissional junto a tribunais de Justiça, fóruns, defensorias e promotorias. O aluno, no entanto, não precisará apresentar vínculo com esse órgãos. Caso trabalhe em escritórios privados de advocacia, por exemplo, o estudante terá de comprovar "acesso aos órgãos públicos" em suas atividades diárias. Se tal experiência não for comprovada, não será possível a obtenção do diploma. "Tem de ter uma prática efetiva antes de concluir a formação. Não vai ser uma política de faz de conta", disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

O ministro anunciou também maior rigor na avaliação das faculdades de direito. Acompanhando as medidas de fiscalização à carreira de medicina, que teve 200 cursos encerrados recentemente, o ministro garantiu que, até o fim do ano, diversos cursos de direito serão proibidos de receber novos alunos. "Vamos fechar muitos vestibulares. Não haverá tolerância com quem não assegurar qualidade." As decisões serão tomadas com base nos resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade).

Além disso, está congelada a abertura de novas turmas de direito em todo o país. De acordo com dados do MEC, existem atualmente 1.200 cursos, que oferecem juntos 220.000 vagas — sendo que 25% delas permanecem ociosas. Mesmo diante de tamanha oferta, outros 100 cursos aguardam chancela do MEC para entrar em funcionamento.

Segundo a pasta, só depois que forem definidos novos critérios de fiscalização é que será concedida ou negada a permissão para funcionamento daquelas faculdades. "O índice de reprovação no último exame da Ordem chegou a 93%. É um esforço muito grande pagar a faculdade e depois não poder ter o pleno exercício da profissão", disse o ministro. Para ele, como há vagas sobrando, não há necessidade de pressa na reabertura de cursos.

sexta-feira, 22 de março de 2013

OAB - X exame. 1º Round 2013.


Começa hoje, 22/03/2013, as inscrições para o X - Exame Unificado da Ordem.

Leia o EDITAL

Faça sua INSCRIÇÃO

A todos aqueles que irão prestar: uma excelente prova e que todos consigam a aprovação. Segue abaixo a tabela completa com as datas:



terça-feira, 19 de março de 2013

Valorização...


O vídeo desta postagem foi indicado por uma pessoa que sempre me faz sentir muito melhor que me considero. Será isso um dom? Já que ela consegue arrancar muito de todos seus alunos, vejo isso no sorriso dos alunos e de seus pais quando nos encontram. 

Enquanto assistia ao vídeo pela primeira vez, por coincidência, li uma homenagem de aniversário, em uma rede social, de um professor que exaltava as conquistas de sua mãe e exibia uma foto em que ela exibe um lindo sorriso, imenso contraste com a história de luta que era tema da homenagem.

O vídeo é bem interessante, principalmente, se analisarmos o universo de certos cursos de algumas universidades, onde uma grande parte de alunos se comportam não como discentes e sim como  "juízes, desembargadores, promotores etc", jovens que passarão pela, provavelmente, melhor parte de suas vida sempre que possível evitando demonstrar algum tipo de sorriso. 



domingo, 17 de março de 2013

41ª SEMANA DE ESTUDOS JURÍDICOS - FDF



sexta-feira, 15 de março de 2013

Dia Mundial do Consumidor.


Vamos ver quanto disso se torna realidade, afinal, papel aceita tudo.

Fonte: UOL 

Governo vai listar produtos 'essenciais' que devem ter solução imediata em caso de defeito

A presidente Dilma Rousseff anunciou um pacote de medidas que pretende fortalecer os Procons, regular o comércio eletrônico e melhorar a assistência ao consumidor. O chamado Plano Nacional de Consumo e Cidadania foi anunciado nesta sexta-feira (15), Dia Mundial do Consumidor.

Um dos principais pontos envolve a criação de uma lista de produtos essenciais. Qualquer problema verificado pelo consumidor em produtos incluídos nessa lista, desde que estejam na garantia, terá que ser solucionado imediatamente pelo fornecedor.

Essa lista deve ser elaborada, em até 30 dias, pela Câmara Nacional de Relações de Consumo, integrada pelos ministros da Justiça, da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, do Planejamento e da Casa Civil da Presidência da República.

A presidente disse que, "em suma", o plano tem como objetivo acolher a nova classe média. "Com a inclusão, fizemos nascer novos consumidores, é nossa obrigação defendê-los."

Regulamentação do comércio eletrônico

Também foi determinado, em decreto, que os comerciantes que vendem pela internet precisarão oferecer informações claras e objetivas sobre a empresa que está vendendo e o produto ou serviço em questão.

O mesmo decreto cria procedimentos claros sobre o exercício do direito de arrependimento e obriga à criação do canal de atendimento ao consumidor. O direito de arrependimento, por exemplo, poderá ser exercido pelo mesmo canal da compra. Se o cliente adquiriu o produto pela internet, não poderá ser obrigado a procurar a empresa por telefone para devolver o produto.

O comércio eletrônico brasileiro não possui uma legislação exclusiva e as novas medidas devem preencher lacunas deixadas pelo Código de Defesa do Consumidor em relação ao comércio virtual.

Projeto de lei para fortalecimento dos Procons
Um projeto de lei para fortalecer os quase 700 Procons brasileiros será enviado ao Congresso Nacional.

Os Procons poderão determinar medidas corretivas, tais como restituir cobranças indevidas, determinar substituição ou reparação de produto, e prestação adequada de informações. Os acordos feitos em Procons serão considerados títulos executivos judiciais.

A medida deve estimular a melhoria na qualidade de serviços e produtos, e reduzir o número de conflitos entre fornecedores e consumidores que chegam ao Judiciário.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, disse que 70% das demandas em juizados de pequenas causas "têm a ver com direitos do consumidor" e custam cerca de R$ 1.000 cada processo. "Ou seja, para resolver uma demanda que às vezes envolve R$ 300, o Estado gasta R$ 1.000". "Propõe-se a diminuição dos conflitos no judiciário e incentivar melhoria no atendimento", disse.

Bancos

Na área financeira, o Plano Nacional de Consumo e Cidadania traz resoluções do Conselho Monetário Nacional que obrigam as empresas a informar a diferença de custos das tarifas bancárias individualizadas e nos pacotes.

Os bancos também ficam obrigados a detalhar a composição dos custos nas operações de crédito e de câmbio.

Fixo e celular

Um novo regulamento simplifica as regras para atendimento, cobrança e oferta de serviços de telecomunicações. Para a implantação desse regulamento, o governo vai abrir uma consulta pública durante 30 dias.

O Plano Nacional Consumo e Cidadania regulamenta os serviços, cria mecanismos de comparação de preços de pacotes e serviços individualizados e padroniza regras de ressarcimento e combate à venda casada.

terça-feira, 12 de março de 2013

A influência das novelas.


Você pode até integrar o grupo daqueles que odeiam novelas, mas é impossível não perceber o quanto elas influenciam em nosso cotidiano, seja em roupas, cabelos, gírias e até nas profissões.

A última novidade é o crescimento do interesse das mulheres em se tornarem delegadas de polícia, graças ao papel interpretado pela exuberante Giovana Antoneli em Salve Jorge.

Matéria recente no portal UOL destaca a beleza de algumas delegadas - AQUI- e recentemente o Fantástico resaltou o interesse feminíno pela profissão, graças a novela - AQUI.

O grande problema entre a ficção e a realidade: na novela é o escritor que decide se a bala vai ou não acertar e qual a gravidade do ferimento que causará, enquanto que na vida real...

Quem já prestou algum concurso na área de segurança pública, sabe o quanto alguns candidatos durante as fases do certame acreditam que estão se inscrevendo para um joguinho de vídeo-game e não para trabalhar colocando em risco a, única, vida que possuem. 


A matéria a seguir apresenta a verdadeira delegada que inspirou a personagem da novela:

Fonte: Veja

A delegada que inspirou a Helô da novela Salve Jorge cresceu nas areias de Ipanema, mochilou em Bali e se preparou para ser advogada, mas gosta mesmo é da vida de policial durona: “Detesto gente frouxa”

ELA É FOGO NA ROUPA


A Delegata Monique Vidal: "detesto gente frouxa"
(Foto: Carlos Moraes / Ag. O Dia)
O celular de Monique Vidal, titular da delegacia de polícia do Catete, no centro do Rio de Janeiro, soou bem no meio do almoço. Do outro lado do aparelho ouvia-se uma aflita Gloria Perez, autora da novela Salve Jorge, com uma dúvida, digamos, de ordem técnica.

Queria saber como provocar a prisão imediata de um personagem por um motivo simples.

“Faça o sujeito quebrar um orelhão que ele fica preso se não pagar fiança”, orientou a delegada, que, ao desligar, comentou: “Mudei a novela!”. E deu uma sonora gargalhada que ecoou por todo o restaurante.

Com cabelos cobertos por tintura loiríssima, bijuterias que resplandecem a distância e uma inseparável pistola calibre 40 na cintura, a delegada Monique Vidal não é apenas a consultora da trama das 9 para assuntos policiais. Dela veio a inspiração para a personagem Helô, interpretada por Giovanna Antonelli, que ganhou até mesmo o apelido pelo qual Monique é conhecida no meio: Delegata.

Aos 44 anos e com quinze de polícia, ela acabou de assumir o comando da delegacia antes chefiada por um colega que desancou via Twitter as mulheres com quem trabalhava — despropério que chamou a atenção até da imprensa internacional e custou a cabeça do delegado.

Como sempre faz, Monique Vidal entrou em cena batendo firme os saltos. Ela foi abrindo espaço em um ambiente tão predominantemente masculino à base de um currículo que alardeia a prisão de alguns dos maiores traficantes da Zona Sul carioca, área onde fez quase toda a carreira.

Em sua primeira missão, já imprimia o estilão destemido e direto à frente da delegacia da Barra da Tijuca: Monique saiu à rua para perseguir garotos de classe média alta que naquele tempo promoviam arruaças na noite do Rio, depredando boates e ferindo pessoas. Virou a “caçadora de pitboys”.

Quando prendeu o mais eminente representante da turma, o lutador de jiu-jítsu Ryan Gracie, ostentava o barrigão de oito meses de gravidez de sua primeira filha, hoje com 15 anos, fruto de um romance com o então delegado e futuro chefe de polícia do Rio Álvaro Lins. “Fiquei com ele porque era o homem mais bonito da polícia”, resume, mas para por aí.

A relação entre os dois é um assunto tabu. Corre no meio policial que, em meio a um acesso de fúria, Monique teria arremessado contra Lins, um a um, todos os objetos que encontrou à sua frente. Nada ficou de pé no gabinete do já chefe de polícia. “Não comento isso”, diz ela.

Monique só se casou mesmo uma vez, com o lutador de vale-tudo Gustavo Ximu, a quem até hoje chama, entre amigos, de “my love”. Ficaram juntos oito anos e tiveram um filho, hoje com 7. Quem tomou a dianteira na paquera? “Ela. Eu estava na rua com amigos em comum e Monique veio falar comigo”, conta o lutador, para quem a ex-mulher é “amiga eterna”.

Hoje, “infelizmente”, ela está solteira, mas “aberta”. Às vezes, deixa a clausura da delegacia para badalar em rodas as mais ecléticas. Fica bem à vontade entre celebridades e políticos. No ano passado, Monique até se candidatou a vereadora pelo PSL (partido da base do prefeito Eduardo Paes). Não se elegeu, mas também não passou recibo.


Em ação, aos oito meses de
 gravidez, quando caçava pitboys
no Rio e prendeu o lutador
 de jiu-jistu Ryan Gracie
 (Foto: Paulo Toscano)
“Gosto mesmo é de ser tira”, fala. Nascida e criada nas areias de Ipanema, Monique foi educada em bons colégios, passou dois anos mochilando no circuito Califórnia-Havaí-Bali e cursou direito em uma universidade particular antes de enveredar, meio por acaso, pela carreira de delegada. “Sempre gostei de filmes com policiais femininas como protagonistas. Minha ‘ídola’ era a Jill do seriado As Panteras”, lembra.

Um dia, em uma banca de jornal, viu o anúncio de um concurso para delegado e fez a prova. Só foi passar numa segunda tentativa.

Antes da estreia de Salve Jorge, a atriz Giovanna Antonelli fez uma imersão na delegacia de Monique. Além da própria Gloria Perez, uma de suas assessoras está sempre na linha com a delegada. O resultado na ficção guarda familiaridade com a vida real nas dependências do Catete. Como Monique, Helô tem uma equipe que a acompanha aonde for, cobre-se de enfeites vistosos e faz um bailado parecido com cabeça e cabelos (que ambas, coincidência do destino, tratam no mesmíssimo salão).

Também Helô já andou lançando objetos contra o ex-marido, com quem vive às turras. Mas Monique vê um abismo entre as duas. A delegada da novela bem que poderia ser um pouco mais esperta. “Sei que ali é ficção, mas às vezes ela é devagar demais para mim”, dispara a Delegata.

Procons ganharão mais poder para punir e multar empresas


Fonte: Folha de São Paulo

Os Procons de todo o Brasil ganharão mais poder de ação e poderão aplicar multas diárias a empresas que infringirem o direito do consumidor brasileiro.

A medida, à qual a Folha teve acesso, faz parte de um pacote de bondades que a presidente Dilma pretende lançar na próxima sexta, Dia Mundial do Consumidor.
Ela se reuniu nos últimos dias com empresários de diversos segmentos para alinhavar as ações de defesa ao consumidor.

Ontem, recebeu representantes de companhias aéreas em agenda reservada.

O pacote prevê iniciativas para melhorar o atendimento e garantir direitos nos setores de telefonia, banco, aviação, cartões de crédito e planos de saúde, entre outros.

Haverá punições para o estabelecimento comercial que infringir o direito do consumidor e também para o órgão público ou privado que não fiscalizar essa infração.

Com a futura regra, as decisões dos Procons passam a ter caráter executivo --ou seja, terão de ser cumpridas obrigatoriamente nos casos de substituição de produtos, cumprimento de oferta, devolução de valor pago indevidamente e prestação de informações.

Quem desrespeitar a decisão poderá ter de pagar multa diária definida pelo órgão. Hoje, a aplicação de multa nessas condições é definida pelo Judiciário.

AGILIDADE

A ideia do Executivo é criar as condições para solucionar de forma mais rápida as reclamações de clientes e desafogar a Justiça.

Segundo o projeto, quando não houver acordo entre as partes no Procon, o juiz dispensará a audiência de conciliação e pulará direto para a audiência de julgamento.

Ainda não se sabe se a regra dos Procons virá por medida provisória, com efeito legal imediato, ou por projeto de lei, que precisa da aprovação do Congresso. O pacote é uma das apostas da presidente para agradar à classe média, espécie de "noiva" nas eleições de 2014.

Na semana passada, em pronunciamento nacional de rádio e TV, Dilma Rousseff disse que pretende transformar a pauta da defesa do consumidor em uma "política de Estado", em que "premiará as boas práticas e punirá as más".

O projeto dos Procons está pronto desde 2011, mas não havia saído da gaveta.

domingo, 10 de março de 2013

MP diz que multa da lei seca é inconstitucional


A tão comentada e comemorada, como a solução de todos os problemas brasileiros, Lei Seca vai caindo no mundo real. 

Fonte: Estadão

Parecer considera que não se deve punir o motorista que recusa a fazer o bafômetro com autuação nem suspender sua CNH ou reter o veículo

Um parecer do Ministério Público Federal considera inconstitucional punir o motorista que se recusa a fazer o teste do bafômetro com multa de R$ 1.915,40, suspensão do direito de dirigir por 12 meses e retenção do veículo. Isso apesar de o MP defender a constitucionalidade da tolerância zero e o uso de outros instrumentos para provar que o motorista ingeriu álcool antes de dirigir, como depoimento de testemunhas ou imagens de vídeo.

Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o MPF argumenta que a Constituição garante ao cidadão o direito de não produzir provas contra si mesmo. Portanto, o motorista não pode ser punido, seja com multa ou outra medida administrativa, por exercer esse direito.

A sanção para o motorista que se recusa a passar pelo bafômetro já estava prevista na lei original. No ano passado, a punição foi agravada pelo Congresso como forma de dar maior eficácia à lei e para levar o motorista a se submeter ao teste. Agora, o MP sugere ao STF que derrube este ponto da lei.

A vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, afirmou no documento que a Constituição e a jurisprudência do STF impedem sanções ao cidadão que se recusa a produzir prova contra si. "No Direito brasileiro, a vedação à autoincriminação é identificada como princípio constitucional processual implícito", disse.

Nas rodovias. No entanto, o Ministério Público considera constitucional a tolerância zero estabelecida pela nova lei seca, admite a produção de provas por outros instrumentos que não sejam o bafômetro ou o exame de sangue e avaliza o veto à venda de bebidas alcoólicas às margens de rodovias federais.

De acordo com o estudo feito pelo MP, a proibição total de ingestão de bebidas alcoólicas por motoristas é constitucional e a medida mais eficaz para diminuir a quantidade de acidentes e mortes no trânsito.

"(A lei) É adequada, porque apta a atingir o propósito de diminuir os riscos e danos à vida, à integridade física e à segurança dos motoristas e pedestres", afirmou a vice-procuradora-geral. "É necessária, uma vez que se revela o meio mais eficaz a reduzir, drasticamente, os índices de acidentes de trânsito fatais", acrescentou. "E é proporcional em sentido estrito, já que o custo que ela gera, de não permitir que se dirija sob influência de álcool, é infinitamente inferior aos benefícios que acarreta à segurança viária."

sábado, 9 de março de 2013

Código de Defesa do Consumidor e um belo exemplo em Franca.


Lembrando as aulas de Direito do Consumidor e os exemplos usados em sala, uma notícia do jornal de Franca em 09/03.

Observação: muito feliz com a proteção que a Vigilância Sanitária Municipal nos proporciona, já que procurou um outro produto do mesmo lote em busca de outro sapo, a última da VISAM era essa: Fiscalização

Fonte: Portal GCN

Mulher vai preparar macarrão e diz que encontrou sapo no molho

Uma dona de casa de Franca teve uma surpresa desagradável ao preparar comida com um molho de tomate e se deparar com algo estranho. A mulher procurou a Vigilância Sanitária e o objeto repugnante foi identificado como sendo um sapo, mas os fiscais sanitários disseram que pouco poderiam fazer porque a embalagem já havia sido aberta. Segundo o responsável pelo órgão, José Conrado Neto, ele procurou achar em outros estabelecimentos o mesmo lote do produto em questão, o Molho de Tomate Pomarola, mas não obteve êxito.

A Cargill, fabricante do molho, afirmou que espera o resultado da análise feita no produto recolhido em Franca, mas que o tal sapo deve ser bolor. As informações são da Agência Estado.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Júri de Mizael Bispo de Souza será transmitido ao vivo por TV e rádio


Fonte: Último Segundo

réu e vítima
A Justiça paulista vai permitir pela primeira vez na história a transmissão ao vivo de um júri por emissoras de televisão. A partir de segunda-feira (11), o público de todo o País poderá acompanhar o julgamento do advogado e policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza, acusado de matar a ex-namorada, Mércia Nakashima , em maio de 2010.

Autor da ideia, o juiz Leandro Bittencourt Cano, do Tribunal do Júri de Guarulhos, acredita que a transmissão pode ajudar a tornar o procedimento mais imparcial e evitar que algumas pessoas fiquem na frente do fórum. O quarteirão do prédio será interditado. "Minha preocupação é a imparcialidade do jurado, que ele não chegue aqui com uma ideia predefinida. O fato de estar todo mundo acompanhando, vendo as provas e a parte técnica do júri, pode ajudar."

Acusação e defesa concordaram com a proposta do juiz. Empresas de TV, rádio e internet montaram um grupo para decidir como as imagens serão produzidas e distribuídas. Os jurados não poderão ser filmados. O juiz também pretende evitar a superexposição do réu.

O promotor Rodrigo Merli Antunes afirmou que é favorável à transmissão. "As sessões e julgamentos são públicos e qualquer pessoa deveria poder acompanhar. Por questões físicas, isso não é possível (não cabe todo mundo no plenário), então nada melhor que todos terem a oportunidade de acompanhar pela TV."

Advogado do ex-PM, Samir Haddad afirmou que, no início, tinha receio de que a transmissão pela TV prejudicasse o julgamento. "A gente temia porque poderia influenciar os jurados, viraria um Corinthians e Palmeiras em rede nacional", disse. Mas ele mudou de opinião e vê, hoje, aspectos positivos. "(O julgamento) Será um marco, o 'big brother' do Judiciário." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 5 de março de 2013

O conceito de lide.


Para a turma que iniciou em 2009, os interessantes conceitos conforme o ano na graduação.



domingo, 3 de março de 2013

Advogados vão à Argentina fazer doutorado "express"


Olha que excelente oportunidade para alguns conseguirem um doutorado, já que se importam tanto em serem chamados de "dotor". É claro que não se pode desconsiderar o risco de serem iguais aos "médicos" formados na Bolívia, Cuba etc.

Fonte: FOLHA

Advogados brasileiros têm investido cada vez mais numa modalidade "express" de cursos de doutorado, ofertada principalmente por universidades da Argentina.

O modelo é criticados pela Capes, fundação responsável por avaliar os cursos de mestrado e doutorado no Brasil.

Mas é recomendado no país por empresas e entidades de classe diante da "possibilidade de conciliação de tempo para pessoas atarefadas", como afirma um dos sites de divulgação dos cursos.

Esse tipo de pós-graduação está tão popular que, segundo estimativa da Capes, há três vezes mais estudantes de doutorado em direito na Argentina do que em território nacional.

Aqui, segundo números de 2011, há 1.590 matriculados em doutorados de direito.

O aumento do fluxo de brasileiros para o país vizinho vem preocupando o órgão, que aponta fragilidades nesses cursos. Para a Capes, há o surgimento de um "mercado paralelo" para burlar as exigências de abertura de novas vagas de pós-graduação no Brasil.



Nesse modelo de doutorado, as aulas presenciais acontecem num período de duas semanas, nos meses de janeiro e julho, com uma carga horária média de nove horas por dia.

O aluno desenvolve sua pesquisa à distância e retorna ao país vizinho para apresentar sua tese perante a banca de docentes.

"Como um professor que dá dez horas de aula pode dar orientação para esse aluno? E quando o aluno termina os 15 dias de aula, ele volta para suas atividades.

É uma qualidade extremamente duvidosa", afirmou Martonio Lima, coordenador da área de direito na Capes.

O elevado número de alunos para cada orientador, o baixo convívio acadêmico e a não exigência de mestrado como pré-requisito são alguns pontos que diferenciam o doutorado brasileiro do modelo intensivo, aponta Lima.

"RESERVA DE MERCADO"

Procuradas pela Folha, entidades que divulgam as vagas no país vizinho alegam uma "reserva de mercado" no Brasil, daí a grande demanda pelos cursos argentinos.

"Infelizmente, o acesso é muito restrito. As pessoas buscam formas alternativas, já que no Brasil só uma minoria consegue o ingresso", disse Thiago Gonzaga, coordenador da Lego Cursos.

Uma das parceiras da empresa é a UMSA (Universidad del Museo Social Argentino), que organiza turmas somente para brasileiros. A Universidad Católica Argentina e a Universidad Nacional de Lomas de Zamora também oferecem cursos intensivos.

As entidades lembram ainda que a carga horária de aulas presenciais dos cursos argentinos (360 horas) é a mesma exigida no Brasil.

"No Brasil há esse equívoco: confundem os cursos de pós-graduação com presença em aula.

Em cursos de strictu sensu [mestrado e doutorado], o que se exige é pesquisa", afirma Elpídio Donizetti, coordenador acadêmico do Iunib (Instituto Universitário Brasileiro).

"Nós queremos conhecimento ou o aluninho levantando o dedo para dizer 'presente'? O nosso modelo não serve de inspiração para o mundo", disse Donizetti.

sábado, 2 de março de 2013

Fiscalização!?



Quem leu a matéria de capa do jornal Comércio da Franca, sábado 23/02, e prestou um pouquinho de atenção no texto com certeza ficou impressionado e preocupado.

Graças a uma denúncia, a Vigilância Sanitária Municipal apreendeu quase 3 toneladas em alimentos com a data de validade vencida, os produtos eram de um único comerciante e estavam armazenados tanto na sua lanchonete e, 15 freezers lotados, na sua residência.

Em tempos de tragédia na Boate Kiss, que foi responsável por mostrar as falhas nas fiscalizações, é interessante acompanhar os detalhes da apreensão e as declarações dadas pelos fiscais da Vigilância Sanitária de Franca. Assim, seria interessante refletirmos sobre alguns pontos:

Quanto tempo levaria para uma única lanchonete preparar quase 3 toneladas de alimentos? Um depósito contendo 15 freezeres não nos remete a um possível distribuidor?

O chefe da Vigilância disse: “Ao entrarmos no estabelecimento, notamos uma falta muito grande de higiene”, se não tivesse ocorrido a denúncia, ninguém teria fiscalizado tal situação?

Ainda, segundo a matéria do jornal, o chefe da Vigilância Sanitária explicou que vistorias nesses estabelecimentos são anuais e não sabia com precisão quando havia ocorrido no estabelecimento em questão, aproveitou para ressaltar: “Pedimos para a população ficar atenta a qualquer suspeita nos estabelecimentos. Uma situação, por exemplo, é se não houver higiene nos banheiros. O alvará também tem que estar exposto para o público”

O que podemos fazer? Ficarmos atentos e, caso ocorra, não surpresos quando tragédias como a da Boate Kiss acontecerem.

Clique aqui e veja a matéria completa no site do Jornal.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A morosidade da justiça em um caso concreto, o meu.



Será que a alguém lucra com a morosidade existente no Brasil, seja no Judiciário, Legislativo ou Executivo, é impossível acreditar que não existe profissionais capazes de conseguir com que as engrenagens brasileiras funcionem com mais eficiência.

Vamos a minha pequena experiência particular:

Estava contratando um financiamento no Banco do Brasil em meados de 2012, qual foi minha surpresa ao vê-lo negado por meu nome constar no rol de devedores do SERASA, justo eu que sempre me orgulhei de honrar com meus compromissos.

Quando fui procurar a fatura que, supostamente, havia deixado de quitar, descobri que se tratava de uma conta de um telefone habilitado, em meu nome e CPF, em um endereço totalmente desconhecido por mim, localizado a 400 km de onde moro. A Claro/Embratel fez a gentileza de habilitar um telefone em meu nome e ainda negativar meu CPF por falta de pagamento.

Ingressei com uma ação no Juizado Especial Cível, essa que foi distribuída em: 01/08/2012.

Dias depois foi marcada a audiência de tentativa de conciliação para: 24/09/2012.

Aceitei a conciliação nos seguintes termos: a empresa daria baixa nos restritivos que pesavam sobre meu nome e depositaria o valor referente a satisfação pelos danos causados em até 20 dias, em caso de inadimplemento  ocorrerei multa.

Dia 17/12/2012 me dirige até o Fórum e constatei que a empresa havia realizado o depósito, dentro do prazo estipulado, e assinei a autorização concordando com o valor depositado, coincidentemente o mesmo valor acordado na audiência. Em seguida fui informado que era só aguardar a Guia do Levantamento para sacar o dinheiro, aquele que a empresa havia depositado a mais de dois meses.

Passado quase 5 meses da audiência de conciliação, que determinou 20 dias para que a empresa efetuasse o pagamento, foi emitida no dia 21/02/2013 a Guia de Levantamento e consegui realizar o saque.

Fico imaginando se as empresas privadas trabalhassem com uma logística tão eficiente.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A prática de TORTURA, nem crime é.


Explicar para um leigo sobre as leis no Brasil não é tarefa fácil, aqui aproveito para deixar meus parabéns ao docentes das disciplinas de Direito, um exemplo recente foi os professores explicando o que é Impedimento e Suspeição, durante o julgamento do Mensalão, fico imaginando o que pensaria alguém que não está acostumado com nosso judiciário.

Agora, como explicar a redação do Art. 5º, inciso XLIII, da nossa Constituição:  "a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura (...)" sabendo que se a tortura praticada por uma pessoa com idade, cronológica, inferior a 18 anos completos não é considerado nem crime, sim um mero ato infracional.

A foto, que ilustra esse texto, de um homem, funcionário público, que passou 4 horas em poder dos adolescente que se rebelaram na unidade da Fundação Casa, Vila Conceição, zona leste de São Paulo, as marcas nas costas revelam os sinais das agressões que sofreu.

Consta no artigo 1º, da Lei 9455/97 (Lei da tortura), a conduta para configuração do crime: constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental, com a intenção de provocar ação ou omissão de natureza criminosa.

Provavelmente, já abriram uma sindicância para descobrir os motivos do motim, alguma ONG de Direitos Humanos ou outro órgão, a OAB por exemplo, deve surgir para investigar e ouvir os adolescentes, esses que já estão privados da vida em sociedade por terem desrespeitado alguma norma penal, serão tratados como vítimas e os que foram por eles torturados serem investigados como criminosos.

É, decididamente, não é fácil entender a aplicação das leis brasileiras. 


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Não tenho nada com isso.


Passou nos principais telejornais do país, nesse vídeo a Globo News substitui Franca, onde realmente aconteceu, por Ribeirão Preto, mas o que vale é o conteúdo.

O vídeo comprova bem a famosa frase de Martin Luther King:

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."

Durante as mais de 3 horas que vários criminosos - não aceito a afirmação de "a ocasião faz o ladrão" - furtaram a relojoaria, o fato que mais chama a atenção é: muito provavelmente, não passaram apenas criminosos  nesse período, e ninguém, que possa ter passado pela rua que a loja tinha a porta arrombada, se preocupou em fazer uma simples ligação para a polícia.

Sempre que ocorre um furto é comum ouvirmos certos comentários: "mas como ninguém viu?", "ladrões têm sorte" etc. a questão não é alguém ver ou a sorte dos bandidos e sim o pensamento: "não tenho nada com isso, não é meu". As omissões são ótimos fertilizantes para a criminalidade.


Um bom exemplo para a Fábula do Rato.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Início do ano letivo 2013.



Observação: Homenagem ao Centeno.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A fábula do rato.


Embora essa fábula seja muito usada para o mundo corporativo, ela tem uma excelente aplicação na sociedade em geral.

Fábula do Rato.

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.


Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.


Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:


- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!


A galinha disse:


- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.


O rato foi até o porco e disse:


- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !


- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.


O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:


- O que ? Uma ratoeira ? Por acaso estou em perigo? Acho que não !


Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.


A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.


No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.


Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.


Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.


Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.


A mulher não melhorou e acabou morrendo.


Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.


“Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.”


domingo, 17 de fevereiro de 2013

A Lei Seca, a violência e a alienação da população.


A capa do principal jornal, de Franca no dia 16/02/2013, retrata bem a forma que está sendo vendida pelo governo e, automaticamente, comprada pela população e a postura adotada por toda imprensa em relação a nova Lei Seca.


Um dos assuntos mais comentadas no momento é a nova lei seca, todo telejornal não deixa de divulgar alguma importante informação, imagens de blitz, número de infratores flagrados pelas autoridades, acidentes que já ocorreram em razão do álcool, as pessoas que tentam de alguma forma burlar a lei, entre outras coisas. Espaço bem menor é dado a violência.

A capa do jornal traz a seguinte chamada: "Lei seca manda 13 motoristas bebuns para prisão em 5 dias", o adjetivo "bebuns" é usado para vender jornal, afinal, com a mudança da lei, duas latinhas de cerveja já seriam suficientes para que o motorista fosse preso.

Porém, se você reparar na capa que postei, a foto é sobre outro assunto e acompanha a seguinte legenda: "Contra ladrões: O comerciante José Francisco da Silva montou uma cama improvisada em sua loja, onde dorme todas as noites com receito de assaltos. Empresários da avenida Adhemar de Barros se sentem inseguros em deixar os estabelecimentos à noite devido aos furtos registrados na região nos últimos meses".

A capa é a versão impressa dos principais telejornais, onde as notícias sobre a Lei Seca possuem mais destaque que o absurdo aumento da violência pelo país. O estado que melhor aplica a Lei Seca é o Rio de Janeiro, estado que possui verdadeiras áreas de guerra. São Paulo teve o, absurdo, número de mais de 100 policiais mortos só no ano de 2012. Santa Catarina já registrou 106 atentados a ônibus apenas nos últimos 17 dias, os motoristas e cobradores decidiram trabalhar apenas entre as 7 e 18 horas, algumas escolas e faculdades suspenderam as aulas.

Para nós contribuintes brasileiros será que o mais importante mesmo é a tal da Lei Seca?

No Rio de Janeiro está sendo instalado nas favelas as Unidades de Polícias Pacificadoras, não falei que tinha áreas de guerra, em São Paulo os governos Federal e o Estadual fizeram uma parceria para efetuar estudos para diminuir a violência e em Santa Catarina o Governo Federal mandou a Força Nacional para as ruas e transferiu alguns presos suspeitos de serem os mandantes dos ataques. Nem vou citar os outros Estados da federação, com índices de violência ainda maiores.

As perguntas sobre violência no três estados que citei são: Polícia Pacificadora resolverá o problema da violência urbana, os furtos e roubos no calçadão? Em São Paulo um dos problemas é uma facção criminosa que os principais líderes já estão presos e em Santa Catarina, tudo indica que os mandantes também estão presos, e alguns dos suspeitos são integrantes PGC (Primeiro Grupo Catarinense) - da para acreditar no nome, eu também nunca tinha ouvido falar.

Não deveríamos estar exigindo ações efetivas do Estado para nossa segurança, impostos - pagos por nós - que deveriam ser revertidos para isso não faltam, mas convenhamos, é muito melhor e mais fácil para o Estado, não defendo aqui quem dirige embriagado: ameaçar de prisão, receber a multa de R$ 1.915,40 e suspender a CNH por um ano, daquele trabalhador que ao término do expediente toma um chopinho com os amigos ou daquele casal que aprecia um bom vinho no almoço de domingo que proteger o trabalhador e a sua família dos criminosos que, muitas vezes, já estão sob a custódia do Estado. 

Nossa realidade é um Estado que não coibi a violência, a imprensa que se comporta como cúmplice e a população que aceita que um trabalhador que tenha ingerido uma pequena quantidade de álcool seja efetivamente mais punido pelo Estado que um criminoso que furta uma casa ou veículo, para citar apenas o crime de furto.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Atestado de burrice.


Aproveitando o velho dito popular "de boas intenções o inferno está cheio", em determinadas situações as pessoas podem até agirem com as melhores das intenções, porém estão sendo inocentes, cabe aos prejudicados não assinarem atestado de burrice e mostrarem o erro aos dotados dessas, supostas, boas intenções.

Quando alguém é privado de liberdade, independente de sua idade, é lógico que ela não estará satisfeita em tal condição, afinal a liberdade é o natural para qualquer pessoa.

Pegar uma pessoa insatisfeita com sua condição e ensinar ou permitir que pratique musculação ou alguma arte-marcial é, no mínimo, assinar um atestado de burrice. 


Em uma recente fuga de um presídio do Rio de Janeiro, descobriram que alguns dos que evadiram haviam iniciado os treinos em Vale-Tudo, para assim perderem peso e conseguirem passar pelo túnel, menos mau que era apenas para emagrecer, mas permitir que presidiários treinem vale-tudo. Não seria expor, ainda mais, os agentes que cuidam do pátio.

No ano passado conversei com dois profissionais, um instrutor de musculação que me disse, todo animado, do progresso muscular dos adolescentes que ele treinava, adolescentes esses privados de liberdade, quando eu perguntei se não era temeroso fortalecer "o inimigo", ouvi a brilhante resposta: "Que nada, eles crescem rápido, para o professor é gratificante.", para o professor tudo bem e para os agentes que não são treinados, e mesmo os que são, não faz o menor sentido.

Depois fui abordado por um professor de Taekwondo, que teria sido convidado por uma ONG para ensinar tal esporte - em uma unidade de internação de adolescentes em conflito com a lei, afirmei que era contra, que não fazia o menor sentido ensinar a eles uma luta, ouvi como resposta "trata-se de um esporte olímpico, visa a disciplina etc.", linda teoria, porém na prática é uma luta.

As ONGs e os instrutores podem até acreditar nessa balela, afinal é o trabalho deles, se alguém vier com o papo de que precisam de atividade física, qual a razão de não realizarem apenas atividades aeróbicas, afinal, os responsáveis pela unidades permitirem que se ensine, àqueles que foram retiradas da vida em sociedade, Vale-tudo, Musculação, Capoeira, Boxe, Judô, Taekwondo etc. é assinar o Atestado de Burrice.




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Namorando com o suicídio


Fonte: Veja, por J. R. Guzzo

Se nada piorar neste ano de 2013, cerca de 250 policiais serão assassinados no Brasil até o dia 31 de dezembro. É uma história de horror, sem paralelo em nenhum país do mundo civilizado. Mas estes foram os números de 2012, com as variações devidas às diferenças nos critérios de contagem, e não há nenhuma razão para imaginar que as coisas fiquem melhores em 2013 – ao contrário, o fato de que um agente da polícia é morto a cada 35 horas por criminosos, em algum lugar do país, é aceito com indiferença cada vez maior pelas autoridades que comandam os policiais e que têm a obrigação de ficar do seu lado. A tendência, assim, é que essa matança continue sendo considerada a coisa mais natural do mundo – algo que “acontece”, como as chuvas de verão e os engarrafamentos de trânsito de todos os dias.

Raramente, hoje em dia, os barões que mandam nos nossos governos, mais as estrelas do mundo intelectual, os meios de comunicação e a sociedade em geral se incomodam em pensar no tamanho desse desastre. Deveriam, todos, estar fazendo justo o contrário, pois o desastre chegou a um extremo incompreensível para qualquer país que não queira ser classificado como selvagem. Na França, para ficar em um exemplo de entendimento rápido, 620 policiais foram assassinados por marginais nos últimos quarenta anos – isso mesmo, quarenta anos, de 1971 a 2012. São cifras em queda livre. Na década de 80, a França registrava, em média, 25 homicídios de agentes da polícia por ano, mais ou menos um padrão para nações desenvolvidas do mesmo porte. Na década de 2000 esse número caiu para seis – apenas seis, nem um a mais, contra os nossos atuais 250. O que mais seria preciso para admitir que estamos vivendo no meio de uma completa aberração?

Há alguma coisa profundamente errada com um país que engole passivamente o assassínio quase diário de seus policiais -e, com isso, diz em voz baixa aos bandidos que podem continuar matando à vontade, pois, no fundo, estão numa briga particular com “a polícia”, e ninguém vai se meter no meio. Essa degeneração é o resultado direto da política de covardia a que os governos estaduais brasileiros obedecem há décadas diante da criminalidade. Em nenhum lugar a situação é pior do que em São Paulo, onde se registra a metade dos assassinatos de policiais no Brasil; com 20% da população nacional, tem 50% dos crimes cometidos nessa guerra. É coisa que vem de longe. Desde que Franco Montoro foi eleito governador, em 1982, nas primeiras eleições diretas para os governos estaduais permitidas pelo regime militar, criou-se em São Paulo, e dali se espalhou pelo Brasil, a ideia de que reprimir delitos é uma postura antidemocrática – e que a principal função do estado é combater a violência da polícia, não o crime. De lá para cá, pouca coisa mudou. A consequência está aí: mais de 100 policiais paulistas assassinados em 2012.

O jornalista André Petry, num artigo recente publicado nesta revista, apontou um fato francamente patológico: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conseguiu o prodígio de não comparecer ao enterro de um único dos cento e tantos agentes da sua polícia assassinados ao longo do ano de 2012. A atitude seria considerada monstruosa em qualquer país sério do mundo. Aqui ninguém sequer percebe o que o homem fez, a começar por ele próprio. Se lesse essas linhas, provavelmente ficaria surpreso: “Não, não fui a enterro nenhum. Qual é o problema?”. A oposição ao governador não disse uma palavra sobre sua ausência nos funerais. As dezenas de grupos prontos a se indignar 24 horas por dia contra os delitos da polícia,reais ou imaginários, nada viram de anormal na conduta do governador. A mídia ficou em silêncio. É o aberto descaso pela vida, quando essa vida pertence a um policial. É, também, a capitulação diante de uma insensatez: a de ficar neutro na guerra aberta que os criminosos declararam contra a polícia no Brasil.

Há mais que isso. A moda predominante nos governos estaduais, que vivem apavorados por padres, jornalistas, ONGs, advogados criminais e defensores de minorias, viciados em crack, mendigos, vadios e por aí afora, é perseguir as sua próprias polícias – com corregedorias, ouvidorias, procuradorias e tudo o que ajude a mostrar quanto combatem a “arbitrariedade”. Sua última invenção, em São Paulo, foi proibir a polícia de socorrer vítimas em cenas de crime, por desconfiar que faça alguma coisa errada se o ferido for um criminoso; com isso, os policiais paulistas tornam-se os únicos cidadãos brasileiros proibidos de ajudar pessoas que estejam sangrando no meio da rua. É crescente o número de promotores que não veem como sua principal obrigação obter a condenação de criminosos; o que querem é lutar contra a “higienização” das ruas, a “postura repressiva” da polícia e ações que incomodem os “excluídos”. Muitos juízes seguem na mesma procissão. Dentro e fora dos governos continua a ser aceita, como verdade científica, a ficção de que a culpa pelo crime é da miséria, e não dos criminosos. Ignora-se o fato de que não existe no Brasil de hoje um único assaltante que roube para matar a fome ou comprar o leite das crianças. Roubam, agridem e matam porque querem um relógio Rolex; não aceitam viver segundo as regras obedecidas por todos os demais cidadãos, a começar pela que manda cada um ganhar seu sustento com o próprio trabalho. Começam no crime aos 12 ou 13 anos de idade, estimulados pela certeza de que podem cometer os atos mais selvagens sem receber nenhuma punição; aos 18 ou 19 anos já estão decididos a continuar assim pelo resto da vida.

Essa tragédia, obviamente, não é um “problema dos estados”, fantasia que os governos federais inventaram há mais de 100 anos para o seu próprio conforto – é um problema do Brasil. A presidente Dilma Rousseff acorda todos os dias num país onde há 50 000 homicídios por ano; ao ir para a cama de noite, mais de 140 brasileiros terão sido assassinados ao longo de sua jornada de trabalho. Dilma parece não sentir que isso seja um absurdo. No máximo, faz uma ou outra reunião inútil para discutir “políticas públicas” de segurança, em que só se fala em verbas e todos ficam tentando adivinhar o que a presidente quer ouvir. Não tem paciência para lidar com o assunto; quer voltar logo ao seu computador, no qual se imagina capaz de montar estratégias para desproblematizar as problematizações que merecem a sua atenção. Não se dá conta de que preside um país ocupado, onde a tropa de ocupação são os criminosos. Bela solução dada pela Itália, foi a criação da denominada POLÍZIA PENITENZIÁRIA na década de 90, no Brasil, os agentes prisionais são considerados a escoria da sociedade e da segurança pública, e o crime reina latente em todos lugares.

Muito pouca gente, na verdade, se dá conta. Os militares se preocupam com tanques de guerra, caças e fragatas que não servem para nada; estão à espera da invasão dos tártaros, quando o inimigo real está aqui dentro. Não podem, por lei, fazer nada contra o crime – não conseguem nem mesmo evitar que seus quartéis sejam regularmente roubados por criminosos à procura de armas. A classe média, frequentemente em luta para pagar as contas do mês, se encanta porque também ela, agora, começa a poder circular em carros blindados; noticia-se, para orgulho geral, que essa maravilha estará chegando em breve à classe C. O número de seguranças de terno preto plantados na frente das escolas mais caras, na hora da saída, está a caminho de superar o número de professores. As autoridades, enfim, parecem dizer aos policiais: “Damos verbas a vocês. Damos carros. Damos armas. Damos coletes. Virem-se.”

É perturbadora, no Brasil de hoje, a facilidade com que governantes e cidadãos passaram a aceitar o convívio diário com o mal em estado puro. É um “tudo bem” crescente, que aceita cada vez mais como normal o que é positivamente anormal – “tudo bem” que policiais sejam assassinados quase todos os dias, que 90% dos homicídios jamais cheguem a ser julgados, que delinquentes privatizem para seu uso áreas inteiras das grandes cidades. E daí? Estamos tão bem que a última grande ideia do governo, em matéria de segurança, é uma campanha de propaganda que recomenda ao cidadão: “Proteja a sua família. Desarme-se”. É uma bela maneira, sem dúvida, de namorar com o suicídio.